Wednesday, April 28, 2010

O conceito como forma de expressão

Quantas vezes você se deparou com um desfile em que você pensou: “Onde esta criatura estava com a cabeça quando criou isso?”. 

Pois bem, estamos aqui pra falar disso! 

As peças absolutamente diferentes que você vê nesses desfiles são chamadas roupas-conceito, o que é nada mais nada menos do que uma forma de expressão própria do designer. O que passa pela cabeça de quem cria, as formas que ele imagina ao trabalhar com determinado tema, tudo isso serve de base para que um designer possa expressar sua criatividade, seus sentimentos e, por vezes, sua identidade. Quando se cria, põe-se características pessoais nas roupas, o que a torna parte de quem cria. Por isso toda roupa é muito bacana de ser analisada, cada corte, cada detalhe, cada tecido, cada cor… tudo compõe a personalidade de quem cria e, certamente, de quem vai usar. 


Mas e quando uma pessoa normal não usaria uma roupa daquelas em cima da passarela? 

É esse o X da questão. 

Porque se cria algo que não vai ser usado? 

Para chamar a atenção, óbvio! Mas de quem? De investidores, de clientes, de entusiastas, de artistas, sim, porque a moda também pode ser considerada arte. Uma arte diferente, cheia de macetes, detalhes, montagens, itens que formam um painel vivo que desfila e que destila graça ou provoca sensações "não legais", que vão contra o seu gosto. 

Quando se faz um desfile-conceito o interessante é mostrar idéias e conceitos que levaram à construção de determinado look. O que está por detrás de uma roupa que aparentemente ninguém usaria é o que realmente importa. Uma dica que jamais vou esquecer: quando você quer chamar a atenção de alguém o que você faz? Exagera! Se você quer dizer que para você a próxima tendência é a estampa de bolinhas, porque não colocar sua modelo dentro de uma bolha gigantesca? A moda é a cor laranja? Vista sua modelo como o sol…Chame a atenção para aquilo que precisa de atenção. É sempre válido fazer o diferencial quando se fala em desfile, em apresentações artísticas, claro que sempre observando o que seu público espectador espera ver. Não adianta nada você desenvolver uma coleção baseada em seus sonhos quando as pessoas esperam ver uma coleção ready-to-wear. Entra aí o bom senso e o conhecimento de seu público-alvo. 

Isso é algo que leva tempo, depende muito de quem cria e de como cria, porque cada passo que se dá rumo à construção de um look deve passar pela análise de mercado, das informações que as pessoas expressam ao procurar por uma roupa, das expressões que surgem pelas ruas no próprio corpo das pessoas. Excelentes indicadores muitas vezes encontram-se num determinado ponto de uma cidade, muito visitado, onde transitam várias pessoas de gostos e maneiras diferentes. Em Porto Alegre, por exemplo, o Mercado Público, a orla do Guaíba são pontos muito bacanas para encontrar gostos e hábitos de consumo diferenciados e se ter uma boa noção de como as pessoas estão reagindo frente á crises, mudanças no cenário político, e tudo isso refletindo nos aspectos sociais dessas pessoas. Não detenha-se apenas aos seus caprichos, olhe em volta, pergunte-se como você pode expressar sua criatividade, se de forma conceitual ou de forma mais simples, com looks que as pessoas esperam encontrar nas lojas nas semanas seguintes…

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