Thursday, April 28, 2011

A arte de complicar




Meus colegas de curso podem me odiar. Não vou me chatear. Juro!

Aprendi desde pequeno que se você se organizar e planejar, tudo sempre dará certo (esqueceram de me dizer que sorte ajuda). Assim sendo, passei minha vida toda sempre organizando coisas, desde roupas a trabalhos da faculdade.

A ideia de seguir uma linha lógica de raciocínio sempre me fez parar e analisar se, de fato, os projetos propostos poderiam dar certo. Toquei ficha.

Na faculdade, encontrei vários obstáculos no caminho. Um deles me disseram, era o caos criativo. Pirei!

Nas apresentações dos trabalhos dos colegas sempre tive a sensação de andar em uma espiral que me arremessava para longe do objetivo: entender. Um turbilhão de imagens, cores e sons que se uniam num caleidoscópio multimídia e tentavam expressar as idéias dos nobres colegas.

Ah, e confusão tira nota alta. É mais ou menos como uma poesia longa, em que no final todos dizem “Oh”, sem entender patavinas do que foi dito DURANTE o texto.

Me perdoem os colegas que se utilizam de meios incrivelmente facetados e conectados para expressar suas idéias. Apesar de criticar, admiro quem consiga trabalhar de tal forma.

Meus trabalhos sempre apresentaram uma cronologia exata do processo que me levou a criá-los. Desde a imagem, às lembranças, às significações, às correspondências com materiais e formas existentes, a construção dessas idéias e as materializações das mesmas. Tudo numa linha uniforme que descomplicasse a cabeça dos que assistiam minhas explanações.

Sempre deu certo. Mas não pensem que sempre é fácil. A tarefa mais difícil é simplificar. Mas convenhamos, você trabalha o dia todo, você lida com números, você lida com pessoas que não entendem ou não tem tempo para entender uma ideia...você precisa aprender a simplificar e apresentar os dados finais a tempo de conquistar seu expectador antes que ele saia muito antes de sua fala terminar (ou do sinal tocar).

Esse exercício não talha, de forma alguma sua criatividade, muito pelo contrário, força ela a ponto de encontrar formais mais descomplicadas de mostrar suas idéias. Pense por esse lado.

Tente.

Não dói. E você ainda ganha pontos porque todos passam a compartilhar de sua ideia, pensam com maior clareza e te dão um feedback mais eficaz. E acreditem em mim, isso não tem preço e faz uma enorme diferença em seus futuros trabalhos.

Abração, Doug Oberherr

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